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GUIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA MADRASTAS - MÓDULO 1

Querida madrasta, 

Eu imagino a quantas anda a sua cabeça. Começou um relacionamento com alguém que tem filhos e já percebeu que isso vai exigir bastante de você, não é? Calma. Como disse no post, separe uma garrafa de vodka no congelador - para as que não bebem, um sorvete daqueles mais caros também resolve. Pega o seu senso de humor (você vai precisar dele por todo o processo, por sinal) e vem comigo. Por onde começamos? Pelo que mais importa, naturalmente: as pessoas. 
 

  1. COMECE SABENDO EXATAMENTE ONDE VOCÊ ESTÁ SE METENDO: OBSERVE (BASTANTE. MUITO. O TEMPO INTEIRO.) O PAI.

 
Pensa comigo, qual é a primeira coisa que a candidata à madrasta faz quando inicia um relacionamento com alguém que já foi casado e tem filhos? Te digo, sem medo das pedras: é fuçar os perfis sociais da ex. Colega, é claro que você não está só. Quem nunca fez isso e quem não entende os motivos?
 
Acontece que você está começando pelo canto errado. Talvez não errado, mas certamente o mais improdutivo. Você já parou pra pensar na possibilidade de que, de todas as pessoas que fazem parte desse novo ciclo familiar, a ex ser quem menos importa?
 
“Ai, que blasfêmia!” – não vai falta quem diga. Cê jura?  Eu não acho.
 
Na prática, sabe quem vai definir o quão tranquila vai ser sua vida? Não, não é a ex. Não é a criança. Não são os búzios, nem o tarot: é o pai da criança. Ele mesmo, o seu bofe. O homem que trouxe, do dia pra noite, todo esse mundo novo pra você. A figura do pai é tão importante que é ele, inclusive, que define se você de fato será uma madrasta ou pode passar uma vida sendo só “a amiguinha do papai”.
 
Por isso, os seus olhos devem inicialmente se voltar completamente apenas para essa pessoa: o seu parceiro. Quem é ele? Que tipo de pai ele é? Que tipo de relação ele tem com a criança? Com que frequência ele a vê, e principalmente, quer vê-la? Quanta questão ele coloca em estar presente, voluntariamente, na vida dela? Quais as coisas que ele acredita na educação de um filho? Ele busca colocá-las em prática?
 
Se você souber responder grande parte dessas perguntas, você terá uma boa noção do que te espera. Você vai saber quanto contato terá com essa criança e qual o papel que ela possui na vida desse homem – consequentemente, na sua.
 
Fácil? Sim. Simples? Não.
 
O primeiro gargalo dessa abordagem é: essa observação leva tempo. E leva mais tempo ainda fazer um paralelo entre o discurso do seu parceiro com as ações dele, afinal, todo mundo pode ser paizão da boca pra fora e no facebook.
 
O importante é que você perceba desde o primeiro momento que é essa figura, e somente ela, que possui o controle de todas as pessoas que transitam nessa nova formação familiar: a ex, as crianças e as famílias de cada lado. Se a ex é pirada, acredite, a postura correta do pai da criança consegue te preservar de muitos aborrecimentos. Se a criança é difícil, mas o pai é dedicado a colocá-la nos eixos, a birra poderá ser transitória. E se os valores de criação do pai combinam com os seus, fazer parte desse processo pode se tornar um dia prazeroso, unindo ainda mais vocês como casal.
 
Mas é só?
Não néam, flor.
 
 SIGA OBSERVANDO OUTRA PESSOA MUITO IMPORTANTE NESSA NOVA FASE: VOCÊ MESMA
 
Existe outra pessoa que fará toda a diferença nesse processo, e eu estou olhando para ela. Sim, é você mesma. Umas das melhores heranças que ser madrasta trouxe para minha vida foi a necessidade de olhar para mim mesma e me conhecer. Eu precisei olhar para todos os meus defeitos, inseguranças, medos. Se foi fácil? Jamé, monamu. Foi bem difícil. O que posso dizer é que hoje sou outra pessoa.  Apurei meu senso crítico pra todas as coisas que eu precisava (há tempo) mudar e essa análise foi dolorosa. Ao mesmo tempo, fiz as pazes comigo mesma, em diversos aspectos. Enfrentei minhas inseguranças e o resultado disso foi uma mulher muito mais confiante.
 
Assim sendo, olhe pra você. Pra quem você é, bem de perto. Sem máscaras, ouse escutar o que suas vozes vem andando dizendo pra você em relação à esse novo parceiro. Em relação à essa criança. Em relação à essa ex-mulher.
 
Você acha que se encaixa nesse tipo de família? Você acredita que consegue tornar a relação desse homem com essas crianças ainda mais próxima e mais rica? Você acredita que um dia pode desenvolver com essas crianças algo que gire em torno de pelo menos um sentimento de mútuo respeito?
 
Se a resposta for não, não e não, eu tenho uma coisa pra te dizer: saia.  Sim, saia. Procure alguém solteiro e sem essas amarras. Espere outro príncipe encantado, e pra não dizerem por aí que estou sendo muito dura com você, vou colocar um link de brinquedinhos super úteis pra tornar essa espera divertida. Mas não permaneça na vida dessas pessoas e tente fragilizar um elo entre pais e filhos em prol do seu relacionamento amoroso: madrastas devem ser parte sempre da solução. Se elas não adicionam, elas não deveriam estar ali.
 
Se as respostas forem sim, bacana! Clica nessa outra conversa aqui e vamos iniciar essa jornada. Ela é espinhosa, mas acredite: certamente você tem todas as ferramentas de fazer com que valha a pena, e isso não tem nada a ver com ficar com o seu parceiro pra sempre. Isso tem a ver com o que você leva pro resto da sua vida dessa experiência.